A infecção urinária em crianças é uma condição que merece atenção, principalmente quando aparece acompanhada de febre, dor ao urinar ou episódios repetidos. Em alguns casos, os sinais são fáceis de perceber. Em outros, especialmente nos bebês, a infecção pode se manifestar de maneira menos específica.
Reconhecer os sintomas e procurar avaliação médica ajuda a confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado. Também é importante compreender por que algumas crianças apresentam infecções recorrentes e quando pode ser necessário investigar o funcionamento ou a anatomia do sistema urinário.
Neste artigo, o Dr. Anselmo Hoffmann, especialista em urologia pediátrica, aborda os principais sinais de alerta, os cuidados durante o tratamento e as medidas que podem ajudar a reduzir o risco de novos episódios.
O que é uma infecção urinária infantil?
A infecção do trato urinário (ITU) acontece quando microrganismos, geralmente bactérias, provocam uma infecção em alguma parte do sistema urinário.
Quando a infecção atinge a bexiga, é chamada de cistite. Quando envolve os rins, é conhecida como pielonefrite, uma condição que exige atenção especial, sobretudo quando há febre ou comprometimento do estado geral da criança.
Algumas infecções ocorrem sem que exista uma alteração anatômica identificável. Em outras situações, condições como refluxo vésico-ureteral ou determinadas alterações dos rins e da bexiga podem aumentar o risco de novos episódios.
Quais são os sintomas de infecção urinária em crianças?
Os sintomas variam de acordo com a idade e com a região do trato urinário afetada.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Dor, ardência ou desconforto ao fazer xixi;
- Vontade frequente de urinar;
- Urgência para chegar ao banheiro;
- Escape de urina durante o dia ou à noite em uma criança que já havia adquirido controle;
- Urina com odor diferente do habitual, especialmente quando acompanhado de outros sintomas;
- Dor na parte inferior do abdômen;
- Febre, vômitos ou mal-estar.
Nos bebês e nas crianças pequenas, pode ser mais difícil identificar a origem do desconforto. Febre sem causa aparente, vômitos, irritabilidade ou dificuldade para se alimentar podem justificar avaliação médica, pois nem sempre a criança consegue demonstrar sintomas urinários específicos.
Importante: nenhum desses sinais, isoladamente, confirma uma infecção urinária. A avaliação clínica e os exames adequados ajudam a distinguir a ITU de outras condições.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico considera a história dos sintomas, o exame clínico e os exames de urina.
O exame de urina pode identificar sinais de inflamação e ajudar na avaliação inicial. Já a urocultura permite verificar o crescimento de bactérias na amostra e contribui para confirmar a infecção e orientar a escolha do antibiótico, quando indicado.
A forma de coletar a urina é importante para reduzir o risco de contaminação. Em crianças que já utilizam o banheiro, pode ser possível colher uma amostra do jato médio, seguindo as orientações recebidas. Para bebês e crianças que ainda usam fraldas, a equipe de saúde define o método mais apropriado para a situação.
Nem toda amostra positiva significa necessariamente uma infecção verdadeira: os resultados precisam ser interpretados em conjunto com os sintomas, a qualidade da coleta e os demais achados.
Como é feito o tratamento da infecção urinária?
Quando a infecção bacteriana é confirmada ou existe suspeita clínica que justifique tratamento imediato, o médico pode prescrever um antibiótico.
A escolha do medicamento e a duração do tratamento dependem de fatores como idade, sintomas, gravidade do quadro, resultados dos exames e histórico clínico da criança.
Os responsáveis devem seguir a prescrição e não interromper, trocar ou reaproveitar antibióticos por conta própria. Mesmo quando os sintomas melhoram, é importante respeitar as orientações médicas e procurar reavaliação se a evolução não for a esperada.
Se a criança apresentar piora do estado geral, dor nas costas ou na lateral do abdômen, vômitos persistentes ou dificuldade para ingerir líquidos, procure atendimento médico com urgência. Bebês muito pequenos com febre precisam de avaliação rápida.
Por que algumas crianças têm infecção urinária repetidamente?
Quando os episódios se repetem, é importante avaliar o contexto de cada infecção e verificar se existem fatores que favoreçam novas ocorrências.
Entre os aspectos que podem merecer investigação estão:
- Refluxo vésico-ureteral: retorno da urina da bexiga em direção aos ureteres e, em alguns casos, aos rins;
- Alterações anatômicas: determinadas condições dos rins ou da bexiga podem favorecer infecções;
- Constipação intestinal: o intestino preso pode estar associado a alterações do funcionamento da bexiga e a maior risco de recorrência;
- Hábitos urinários: segurar o xixi por muito tempo ou não esvaziar adequadamente a bexiga pode contribuir para problemas urinários em algumas crianças.
A investigação não é igual para todos. Dependendo da idade, da presença de febre, da recorrência e da resposta ao tratamento, o médico pode considerar exames de imagem, como ultrassonografia dos rins e da bexiga, ou outros exames específicos.
Isso não significa que toda criança com uma primeira infecção precise realizar todos esses procedimentos. A indicação deve ser individualizada.
Para entender melhor uma das possíveis condições associadas às infecções recorrentes, leia também: Refluxo vésico-ureteral em crianças.
Quais cuidados podem ajudar a prevenir novos episódios?
Alguns hábitos podem contribuir para a saúde urinária infantil, embora não eliminem completamente o risco de infecção.
- Incentive a criança a beber líquidos ao longo do dia, conforme suas necessidades e orientações médicas.
- Evite que ela segure o xixi por períodos prolongados.
- Estimule idas regulares ao banheiro, sem pressão ou punições.
- Observe se há sinais de constipação intestinal e procure orientação quando necessário.
- Oriente a higiene íntima de maneira adequada à idade, evitando produtos irritantes na região genital.
- Siga as recomendações médicas quando houver uma alteração urinária já identificada.
Em crianças com episódios recorrentes, o cuidado com o funcionamento da bexiga e do intestino é especialmente importante. A prevenção deve considerar as características de cada caso, e antibióticos preventivos só devem ser utilizados quando houver indicação médica.
Quando procurar um urologista pediátrico?
A avaliação especializada pode ser importante quando a criança apresenta infecções urinárias recorrentes, alterações identificadas em exames, suspeita de anomalias do sistema urinário ou dificuldade de evolução apesar do tratamento orientado.
Também é importante investigar adequadamente infecções acompanhadas de febre, de acordo com a idade e o quadro clínico. A decisão sobre exames complementares depende da avaliação individual.
Febre em bebê muito pequeno, prostração importante, vômitos persistentes ou sinais de desidratação exigem atendimento médico rápido — não se deve aguardar uma consulta eletiva para avaliar esses sinais.
Atendimento em urologia pediátrica com Dr. Anselmo Hoffmann
O acompanhamento especializado ajuda a esclarecer a causa das infecções urinárias, avaliar a necessidade de exames e definir uma estratégia de cuidado adequada à idade e ao histórico da criança.
O Dr. Anselmo Hoffmann realiza atendimento presencial em Salvador (BA) e Campo Grande (MS). Para informações sobre consultas, os responsáveis podem entrar em contato pelo WhatsApp disponível no site.
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Leia também
- Infecção urinária em crianças — orientações do Dr. Anselmo Hoffmann
- Exames do sistema urinário
- Disfunção do trato urinário inferior em crianças
Referências científicas
- American Academy of Pediatrics (2026). Clinical Practice Guideline for the Diagnosis and Treatment of Urinary Tract Infection in Children From 8 Days to 5 Years of Age.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42803578/ - European Association of Urology. EAU Guidelines on Paediatric Urology — Urinary Tract Infections in Children.
https://uroweb.org/guidelines/paediatric-urology/chapter/urinary-tract-infections-in-children - American College of Radiology (2023). ACR Appropriateness Criteria® Urinary Tract Infection-Child: 2023 Update.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38823954/